Lendo uma publicação sobre os atrasos e fiascos da preparação para a Copa 2014 e subsequente Olimpíadas de 2016, me deparei com o escritor comentando que parte do medo estrangeiro em relação aos problemas brasileiros é que eles não conhecem o “jeitinho Brasileiro”, e que o Brasil com certeza conseguiria “entregar” uma Copa e Olimpíadas muito boas graças a sua criatividade, humor e conhecimento de como fazer as coisas perante à adversidade – usando o “jeitinho Brasileiro”.
Conversando com amigos e parentes, o “jeitinho Brasileiro” as vezes aparece, sempre em frases do tipo “a gente da um jeitinho” ou, ainda mais enfático, “para tudo se dá um jeitinho”. De fato, fora o carnaval, o “jeitinho Brasileiro” é uma das poucas características realmente culturais do Brasil. Talvez, a única cultura totalmente do Brasil. É um orgulho nacional.
Eu fico pasmo com o “jeitinho Brasileiro” e como ele é enraiado na cabeça de toda a população. Ele está em todo lugar, a toda hora. É o jeitinho de não reclamar, é o jeitinho calmo do povo, é o jeitinho de resolver os problemas com uma boa conversa, uma boa “gorjeta”, ou uma boa indicação (citando alguém de autoridade que “você conhece” ou “é parente”), o jeitinho de detalhes “sumirem”. Realmente, parece não existir problema que não seja resolvido com um jeitinho.
Quando fizemos o seguro do carro, a agente nos deu várias “dicas” e “jeitinhos” para garantir que o seguro cobriria o ocorrido. Claro que todos estes “jeitinhos” envolveram mentidas no preenchimento do cadastro do seguro, ou mentir para a seguradora se ocorresse um “sinistro”. O jeitinho Brasileiro já é corporativo.
Mas eu paro na rua e olho a cidade ao meu redor, e me pergunto: porque Brasileiro tem orgulho de seu jeitinho? O jeitinho aprovou um projeto que não cumpria as especificações, o jeitinho deixou o engenheiro ignorar os falhas do projeto porque não acreditava serem graves mesmo, o jeitinho fez a licitação mais cara ser aprovada, o jeitinho desviou dinheiro para compra dos materiais trazendo só material de segunda categoria para a obra, o jeitinho fez o mestre de obra arranjar um modo mais econômico de construir a pilastra sem ter problema com seus superiores, o jeitinho fez o pedreiro fazer seu trabalho mais rápido sem parecer que ficou com menor qualidade, e o jeitinho aprovou o prédio pronto no final, e assim o Palace 2 no Rio de Janeiro foi entregue.
E qual é o jeitinho que vai resolver as vidas perdidas quando esta obra feita de areia caiu e matou várias pessoas? onde está o jeitinho para se “desculpar” (será que existem desculpas sinceras no governo?) para todos os parentes e amigos de vítimas dos “jeitinhos” tomados para “evitar” deslizamentos de terra em Teresópolis? e o “jeitinho” para explicar porque nada foi feito para melhorar a segurança do local anos depois – provavelmente porque todos os encarregados deram um “jeitinho” de ganhar no caminho e não sobrou nada no fim? qual é o jeitinho que recupera as vidas dos mortos quando decidiram voar com um reverso defeituoso em um avião cujo jeitinho Brasileiro na manutenção mau mantém a frota voando? que jeitinho resolve as dezenas ou centenas de mortes nas rodovias destruídas por jeitinho Brasileiro na construção de estradas, e no jeitinho Brasileiro para maximizar o lucro dos carros Brasileiros?
Que jeitinho tira o lixo das ruas de um povo que sempre da um jeitinho de se livrar de seu lixo sem precisar um lixeiro? que jeitinho resolve a depredação porque ninguém se importa em depredar já que tem um jeitinho pra tudo?
Que jeitinho mágico o povo Brasileiro vai conseguir dar no governo, feito de representantes deste povo cheio de “jeitinhos”, para eliminar a corrupção, as obras mau feitas, as leis cheias de buracos, e a cultura de jeitinhos?
Porque todo mundo pode dar o nome de jeitinho, mas o nome correto para tudo que se faz neste país dos jeitinhos são diferentes do que o povo quer acreditar: é o suborno, é a bajulação, é o abuso de autoridade, é o roubo e desvio de verbas, é o desrespeito com a segurança e bem estar da população, é a arrogância e necessidade de ser reconhecido, é a gorjetinha meiga que mata vidas. E depois, vemos campanhas contra armas, contra drogas, contra o crime … em um país onde o maior mau de todos é a sua única cultura.
Sim, existem vários jeitinhos do Brasil crescer e melhorar, mas só se tornará um lugar bom para se morar, quando existirem soluções, e não jeitinhos.
O mundo de hoje esta cheio de novidades tecnológicas e gadgets cheios de glamour e atrativos, atrativos até demais, que muitas vezes só servem para nos confundir sobre o que é útil, o que é entretenimento, e o que realmente aumenta nossa produtividade, e nos assistir em nossas tarefas do dia a dia, sejam elas trabalho ou prazer: o real objetivo da invenção do computador no primeiro lugar.
Smartphones, Tablets, Netbooks (e logo os Ultrabooks da intel - nada mais que netbooks com processadores e recursos equiparáveis aos laptops, na tentativa da intel de provar que o modelo teclado+monitor ainda é melhor por ter mais espaço para os componentes eletrônicos) ... É fácil se perder em tudo isto e não saber o que fazer.
O fato é que nada disso constitui uma tecnologia, ou pelo menos tendência, final. São os passos necessários para a evolução da tecnologia, e óbvia pesquisa de mercado, ergonomia e produtividade, pelas empresas que "fazem o futuro". Somos todos cobaias em seus grandes experimentos, e ainda pagamos por isso.
Pare um pouco e tente imaginar o resto de sua vida só com um destes gadgets, eles realmente fazem tudo que você jamais gostaria?
Smartphones são divertidos (e para provar meu ponto, estou escrevendo este artigo no meu Sony Ericsson XPERIA arcS), cheios de jogos, recursos e, não menos importante, são legais e estão na moda. Não esquecendo, quase, do fato de serem telefones, e também estarem começando a serem competidores sérios à câmeras digitais para consumidores comuns (consumer products).
Tablets emprestam TUDO dos smartphones, exceto que eles tem uma tela maior. Meu smartphone tem 4.2", os maiores tablets chegam a 11" (o tamanho da tela de meu netbook), mas convenhamos, eles não tem atrativo algum além da tela maior. Usar um tablet não é nem um pouco diferente do que usar um smartphone - inclusive, os sistemas operacionais para ambos já estão convergindo. Alguns tablets até tem telefonia e câmeras digitais (como se ter 2 câmeras fosse fazer um tablet melhor do que o outro, por exemplo) para tentar vender mais ... Mas qualquer um que já tenha visto alguém usar um tablet como telefone, ou tirar fotos com um, sabe o ridículo da cena. Mas e o teclado? Digitar uma nota, uma mensagem para um colega, tudo bem, mas nada jamais vai substituir a qualidade táctil de um teclado físico: saber onde as teclas estão pelo tato (ou você nunca notou que o F e o J tem um relevo para ajudar quem realmente saber digitar?) - digitar um texto em um tablet é um exercício visual: você não pode olhar o que escreve, mas sim as teclas no teclado virtual, e ir e voltar ao que escreveu para garantir que realmente “teclou” na tecla certa e não cometeu erros óbvios. O teclado físico existe e sempre existirá, e os tablets nunca vão conseguir se livrar desta sina. Tablets são uma moda, e em lugares desenvolvidos como o Japão nem mesmo tem expressão no mercado, pois lá conceitos como “moda” em tecnologia não fazem sentido (útil e produtivo sim). Todo mundo com quem tenho alguma forma de contato e que tem um tablet em casa já parou e se perguntou, uma vez a excitação da novidade passada, o que fazer com ele – a resposta e sempre simples: brinquedo para o filho, diversão rápida para ver uma notícia na cama.
Netbooks tem todos os benefícios de um computador normal (o que é normal?), com diversos apelos de um tablet, e mais alguns: portáteis, tem teclado físico (socorro, este teclado virtual é um saco), e o poder de processamento e recursos que você espera de um "laptop". Com os ultrabooks, a intel promete reduzir a distância entre netbook e laptop, e talvez aposentar os laptops ... Não tão cedo …
O fato é que, não importa quanto a tecnologia dos processadores para ultrabooks ou tablets evolua, implicitamente a tecnologia para os laptops e desktops também evoluirá: será sempre muito mais poderoso um equipamento maior que pode consumir mais energia.
Os laptops tem drive ótico, processadores e, mais importante, processador gráfico (GPU) – os novos netbooks e ultrabooks já tem tentativas de GPU - e geralmente melhores recursos "gerais" comparados com um netbook/tablet, mas falta a mobilidade e o fator "modinha" que permeia os tablets. Na verdade, o que realmente diferencia um laptop de todos os outros gadgets “menores” é sua potência (que consome energia extra) e tamanho (mais fácil nos olhos), e portanto não vão sumir tão cedo.
Pausa para trocar meu smartphone e continuar digitando em meu netbook, chega de catar milho!
E os desktops levam todos os recursos do laptop a um novo nível de eficiência – observando a fonte de um desktop você nota porque eles nunca serão substituídos. Uma placa de vídeo entusiasta (intermediária) precisa daquela fonte e as vezes mais – não tem como colocar aquele poder de processamento em um netbook, ou tablet.
Mas para entender melhor a convergência digital, não podemos esquecer dos consoles de jogos, mesmo porque a evolução atual dos tablets, como vemos nos ridículos comparativos da Apple e o poder de processamento de um iPad2 versus um PlayStation 3, esta muito ligada a entretenimento e jogos. Os consoles são responsáveis por muito lucro para serem ignorados, e até hoje ainda são os arqui-inimigos dos computadores quando o assunto é entretenimento, apesar de quase 5 anos de obsolescência desde o lançamento dos melhores consoles. Cada vez mais, jogos são parte do dia a dia dentro das atividades de entretenimento das pessoas, e cada vez mais, estes jogos incluem gráficos realistas ou complexos algorítimos que um processador não daria conta. Mais do que isso, o público também tem aumentado: em 2011, 42% dos jogadores eram mulheres (e conforme piada no Video Game Awards 2011, apenas metade disso são mulheres de verdade) – um nicho que antes era considerado dos homens, e dos jovens, agora já tem muito marketing e produtos para mulheres e adultos.
Porque isto é importante? Porque para concorrer com os consoles só mesmo desktops e seus processadores sedentos por energia, com placas de vídeo enormes, e diversas formas de interação. Por mais que gadgets dominem o mercado móvel, dificilmente uma casa passará sem ter ao menos um desktop ou console – atualmente, vale mais um desktop, já que até o desktops de base tem processamento melhor que os consoles obsoletos (PS3 e Xbox360, mas tanto Sony como Microsoft já dão sinais de que em 2013 ou 2014 a nova geração de consoles chegará) – além disso, mesmo que os gadgets futuros consigam tomar 99% das tarefas do desktop, ainda existirá sempre utilidade para um servidor de processamento/armazenamento em casa, pois por mais cômodo que seja poder armazenar dados na “núvem”, esperamos que ninguém seja ingênuo o suficiente de não ter um backup físico ao alcance, ou os arquivos mais particulares só em casa.
Com o lugar do desktop garantido em casa, o que sobra é realmente quem vai ficar com a coroa do mercado móvel: Laptops? Ultrabooks? Tablets? Smartphones?
O assunto é polêmico entre hobbistas, mas não é obscuro para nenhum tipo de pesquisa e comentaristas sérios (veja fontes e referências deste artigo no fim): quem vai vencer e sobreviver, são os híbridos que ainda não existem. Em 2013, talvez até 2012, os primeiros hibridos de smartphone com tablet vão ser lançados, e desde 2010 já temos híbridos de netbook com tablet (como alguns da Asus e Dell).
O híbrido do futuro é um smartphone com tela expansível. A Nokia já trabalha com telas flexíveis, e com sua parceria com a Microsoft, logo deve lançar bons competidores. Outras empresas também já tentaram ideias de 2 telas. Em 2010 os hibridos de netbook com tablet adicionaram telas touchscreen em netbooks, onde a tela pode ser virada e ficar sobre o teclado, ocultando-o e tornando o aparelho em um desengonçado e grosso tablet. De uma forma ou de outra, a ideia esta correta, só falta a tecnologia. Somando um teclado embutido (porque ninguém quer andar com um teclado extra no bolso) a um smartphone que possa expandir a tela até tamanho de um tablet é a tendência e forma final do gadget do futuro. As telas dos smartphones não passarão de 4.5” (em média), pois a ideia do telefone é caber no bolso, mas com telas expansíveis e flexíveis, elas podem ser aumentadas para 11” ou mais, tornando-se um tablet (e lembra-se que o sistema operacional de smartphone e tablet já é o mesmo? São as empresas prevendo o futuro). Docking sem fio usando Bluetooth ou o novo sistema NFC (Near Field Communication) vão abolir de vez todos os cabos, e permitir que você use um teclado, dispositivo de apontamento, ou transferir dados, por apenas aproximar tais dispositivos.
A Nokia e Microsoft trabalham juntas em introduzir tecnologia kinectic em seus smartphones, fazendo com que você possa operar tudo com gestos sem tocar na tela. Mais do que isso, telas com diversas camadas e tipos de polarização trarão aos smartphones capacidades 3D sem óculos. Tudo isso já existe, mas é comercialmente inviável (caro) – mas o que é comercialmente inviável hoje, é o padrão em 5 anos.
Portanto, em 5 a 10 anos, os tablets e netbooks vão sumir, dando espaço a uma nova geração de smartphones ainda mais fortes e com telas expansíveis. Laptops terão que disputar o mercado com smartphones, sobrando apenas aqueles que precisam de maior poder de processamento (se você não precisar do processamento extra, vai ficar com seu smartphone mesmo). Desktops continuarão a existir, mas os monitores ficarão cada vez mais finos, talvez até transparentes e “inteligentes”, quem sabe inclusive não existam: o desktop fará streaming direto para seu smartphone da imagem, e certamente 3D é uma tecnologia a ser levada a sério. A tecnologia kinectics vai permitir gestos em todos os dispositivos, e mesas inteligentes com NFC servirão de hubs para conectar tudo: o teclado físico sobre ela, o smartphone, o laptop, e o desktop.
Confira nos links abaixo a visão do futuro pela Corning, 3M, Nokie e Microsoft. Esta última a mais provável de ser o que realmente veremos no futuro: mostra smartphones expansíveis para “tablets”, comunicação direta entre todos os dispositivos (NFC?), e teclado físico no escritório, conectado com uma mesa inteligente.
O fim do PC (Personal Computer) esta chegando ao fim, o que sobrará serão os PA (Personal Assistants). E sim, por mais que possa parecer impossível, o mouse talvez não tenha lugar no futuro.
… mas a caneta vai continuar existindo!
Microsoft: http://www.youtube.com/watch?v=a6cNdhOKwi0
Nokia: http://www.youtube.com/watch?v=SegLUbBJDhA
Corning: http://www.youtube.com/watch?v=6Cf7IL_eZ38
3M: http://www.youtube.com/watch?v=kCZz4jFok_o
Fontes, referências:
http://www.computerworld.com/s/article/9219159/Smartphones_of_the_future_How_they_will_look_what_they_will_do
http://www.talkandroid.com/39508-what-can-we-expect-from-future-smartphones/#.Tx2WJaVSSEA
http://www.huffingtonpost.com/2011/10/27/microsoft-video-future-smartphone-computers-screens_n_1035289.html
http://www.microsoft.com/office/vision/
http://www.fastcompany.com/1736602/the-future-of-the-tablet-and-it-isn-t-the-ipad-2
http://www.pcworld.com/article/238448/the_future_of_tablets.html
http://www.huffingtonpost.com/2011/12/06/samsung-flexible-amoled-future-tablet_n_1130468.html
http://www.technobuffalo.com/technobuffalo/opinion/why-tablets-are-not-the-future-and-what-is/
Depois de minha viagem turística ao Japão, voltei a lembrar de todas as nuances e pequenos gestos, certamente relacionados ao nossos costumes, sociedade e educação. Apesar de muitas vezes óbvias e automáticas, pois nada mais são do que ações e reações que mostram nosso respeito para com o próximo, com o “outro”, é incrível como a grande maioria dos Brasileiros simplesmente ignora-as, mostrando completo descaso e falta de respeito com todos a seu redor, com o ambiente, com a higiene pública.
Como um povo tão mal educado e inconsequente pode realmente cobrar que o governo seja honesto e eficiente? São estes cidadãos que vemos nas ruas que refletem quem somos como uma nação, e nada mais natural que reflitam também os eleitos para representá-los.
Mas ai vai uma simples e não exaustiva lista de coisas que nós deveríamos fazer automaticamente, como parte de nosso ser, sem pensar – algo que vi no Japão, e em parte no Canada, mas falha totalmente no Brasil:
Eu poderia ir adiante, mas acho que da para sentir o óbvio. Pena que a maioria dos Brasileiros não faz NADA do acima.